"A criança e
o ambiente no final do milénio"
Dlim, Dlão! Os sinos tocam. Anunciam a chegada do séc. XXI. E de um novo
milénio. Sobrevoo o mundo e observo as diferentes cores que um pintor cego
que o pinta, usa. Preto, cinza e, quase a esgotar-se, um bocadinho de
branco.
Preto - Maldade, poluição ... Cinza - Tudo isto, mas atenuado. Branco - Paz,
e do olhar faiscante das crianças . Paro. Aí está, crianças.
As crianças são sem qualquer dúvida a chave, mesmo que seja enferrujada,
daquela porta que temos de abrir para passar para o outro lado - O Branco. E
fecharmos para sempre o outro - O Preto e o Cinza. Mas a porta é muito
grande e velha, é um bocado difícil de passar. Portanto a passagem vai sendo
adiada. Hoje somos simples crianças sonhadoras e com medo dos espinhos.
Amanhã seremos adultos capazes de vencer os espinhos, que em maior parte
atacam a Natureza. Ou talvez não... Às vezes divirto-me em ver-me em grandes
aventuras como "Os Cinco", na verdade paro logo, ao pensar quantos insectos
eu teria de suportar. Detesto alguns insectos. Arrepiam-me toda. Acho, que
até é a única coisa que não gosto na natureza. Quem me dera estar debaixo de
uma árvore à sombra, uma árvore grande, frondosa e verde, com flores à volta
mas sem aranhas, moscardos e abelhas... Prrr! Mas embora os odeie não os
mato, fazem parte do ciclo da vida, de um ecossistema... Bem, desculpem este
à parte, estávamos a falar da natureza. A natureza é... são todas as cores
menos o Preto e o Cinza. E o futuro dela sou eu e todos aqueles que queiram
participar. É preciso urgentemente Reutilizar, Renovar e Reciclar... E tenho
a sensação que se tivesse um microfone à frente todos diriam: - Bem, parece
que vamos ter que fazer...
(Sílvia Vermelho, 11 anos - 2000) (Setembro/2000)
"Sou poeta"
Do longe se faz o perto
O mar se faz deserto
Procuro em vão o meu sustento
Uma visão...
Acaba o encantamento!
Tento então emigrar.
Procuro uma vida melhor
Na poesia na melancolia
Procuro o que tem amor
Não tenho mapa nem alforge
Não tenho uma côdea de pão
Durmo ao relento
Jogo às escondidas
Com meu coração.
Esse meu destino está escondido
Essa minha nova nação...
A esperança me dá o alento
A sorte me dá o sustento
Os lamentos dão melancolia
As lágrimas dão poesia...
Sou poeta então...
Procurando o destino
Sou poeta então...
(Sílvia Vermelho aos 8 anos - 1997)
"Lisboa"
Ainda mal se erguia Lisboa
Arrastando o murmúrio das ondas do mar
Que de noite e de dia canta uma canção de embalar.
Lisboa já sentia bem perto
Aquele numeroso aperto
De se tornar capital
De um país tão misterioso e histórico
Como o nosso Portugal....
(Sílvia Vermelho, aos 7 anos -1996)
"Descobrimentos portugueses"
Estava eu ali sentada
A dar voltas à minha imaginação.
Não estava a fazer nada
Estava apenas numa confusão.
Porquê? Todos querem saber.
Deixem-me pensar como hei - de dizer.
De repente vejo - me cercada
De uma multidão
Apenas vejo um barco
Entre muita confusão.
Vejo Vasco da Gama
E sua tripulação
Estarei a sonhar
Ou será só impressão?
Então Vasco da Gama
Repara em mim
Chama - me de parte
E diz - me assim:
-"Quem és tu?
Respondo pasmada
Que não percebo nada.
Percebendo que estava admirada
Leva-me consigo e não diz nada.
Entrámos numa caravela
Que era elegante e bela.
Percebi então que estava
No séc. XV, a virar para o XVI
Estava na monarquia,
Época de reis.
Lá fomos então,
Pelas águas azuis do Tejo.
Esqueçamos a Estremadura,
Esqueçamos o Ribatejo.
Várias tempestades apanhámos
No cabo Bojador
Mas quem arrisca,
Tem de passar pela dor.
Inúmeras léguas percorridas
Até à Ásia.
Índia! Caminho certo!
Já está tudo completo.
Corri até à proa.
Terra à vista!
Caminho Marítimo para a Índia!
Pof! Era um sonho!
Sonho lindo! Fantástico!
De pasmar!
De maravilhar!
(Sílvia Vermelho, aos 7 anos -1996)
"Eu sou uma
nuvem"
Eu sou uma nuvem muito inteligente, trabalhadora e inventora. Um dia, quando
eu estava sozinha, senti-me triste porque já tinha percorrido a Terra e
andava sempre a fazer a mesma coisa sem que tivesse possibilidade de
conhecer outros planetas porque a Atmosfera e o Ozono obrigavam-me a fazer
aquilo.
Até que um dia eu fiquei mesmo furiosa e, como era inventora, resolvi fazer
um foguetão para ir até outros planetas e desafiar a Atmosfera e o Ozono.
Quando acabei descolei logo e consegui passar os meus adversários. Como a
minha nave era ultra-rápida demorei só um dia a visitar o Universo inteiro e
quando voltei fui logo contar às minhas amigas nuvens o que tinha acontecido
e a Atmosfera e o Ozono ficaram muito envergonhados.
José Pedro Mendes Miranda
17/2/95, (8 anos)
"No meu mundo
de fantasia"
No meu mundo de Fantasia imagino, estou a usar a minha imaginação pois penso
em coisas fantásticas, belas e em tudo o que eu quero, o que eu desejo.
O mundo da fantasia é um mundo imaginário na mente de toda a gente e
diferente em todas as pessoas consoante os desejos e a imaginação que cada
pessoa tem. A fantasia é um mundo fantástico de sonho, formado por desejos,
dos quais, os mais importantes têm necessidade de acontecer para cada pessoa
que os possui. E, a mente dessas pessoas tenta e tenta e torna a tentar
concretizar o seu objectivo principal para estar bem consigo e com todos.
No meu mundo de Fantasia sonho que serei o maior cientista de todos os
tempos, conseguirei curar todos os males, que hei-de viver para sempre, que
hei-de ser um super-herói, etc.. E estou com a minha mente disposto a
ultrapassar todos os obstáculos para concretizar o meu sonho e ficar bem
comigo mesmo. Para isso tentarei, tentarei e tornarei a tentar fazer o que
quero e ficarei satisfeito se conseguir, pelo menos numa pequena parte,
tornar realidade o meu mundo de Fantasia em que só há bondade.
Nunca devemos negar o nosso mundo de Fantasia, porque ele faz parte de nós e
muitas vezes pensamos e agimos em função dele.
Muitas vezes além de pensar, também falo e ajo em função dele, ignorando o
mundo real e substituindo-o.
É isto que eu penso do e no meu Mundo de Fantasia.
José Pedro Mendes Miranda
21/3/98, (12 anos)
"O fogo"
O fogo é sentimento, beleza
e representa uma forma viva para mim.
O seu poder é mágico,
Faz sentir ódio mágoa, morte e sangue
mas nunca sem a sua beleza e calor me fazer sentir
bondade, justiça e todos os bons sentimentos
que há dentro de todos nós.
O fogo é chama viva a arder com fervor,
tentando fazer-nos recordar que temos amor
e tentando nunca nos fazer esquecer esse amor
que arde em nós com esplendor
trazendo-nos o dom mais precioso e para que nunca
o esqueçamos, o amor de mãe,
que nos criou e amamentou
tal como a chama viva alimenta e cria o próprio fogo.
Aproveitem a vida o amor e a Mãe enquanto os têm,
pois eles e o Pai são o que de mais importante existe.
José Pedro Mendes Miranda
21/3/98, (12 anos)
"Missão em
Júpiter"
O vai-vem espacial solta a nave Galileu. O seu objectivo é Júpiter, mas não
tem impulso suficiente para lá chegar. A força gravitacional dos planetas é
a resposta para obter um impulso. É preciso uma passagem à volta de Vénus e
duas pela Terra e o problema está resolvido. A viagem a Júpiter leva uns
longos anos, mas merece a pena. A missão de lançar uma sonda dentro da
atmosfera inclemente de Júpiter só é possível para um robot. Uma ordem é
enviada da Terra e a sonda é libertada. É uma descida aos infernos, quanto
mais fundo mais quente, quanto mais quente mais denso. Os ventos são ali
terríveis, mas a sonda continua a transmitir. Os dados são enviados para a
nave mãe e são daí retransmitidos para a Terra. A atmosfera é uma espécie de
sopa venenosa, tão densa que, depois de uma hora a sonda acaba esmagada.
Entretanto, lá em cima a Galileu permanece em movimento, numa órbita
elíptica gigantesca, mas foi ali introduzida com um objectivo: cada órbita
permite a possibilidade de fotografar as quatro luas menores de Júpiter.
João (13 anos)
Fev. 2000
"A desintegração de um cometa"
O cometa Shomaker Levy 9, que viajava desde os limites do sistema solar,
aproximou-se demasiado, sendo capturado pela força de gravidade de Júpiter.
Sujeito a uma força centenas de vezes superior à que a Terra exerce sobre a
Lua, o cometa fragmentou-se. Em Julho de 1994, mais de vinte pedaços do
cometa Shomaker caíram no planeta Júpiter a uma velocidade de 60km/s.
João (13 anos)
Fev. 2000
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