Uns, os sobredotados com sucesso, obtêm bons resultados escolares
e adaptam-se às expectativas dos professores, dos pais e dos
companheiros. Outros, pelo contrário e por razões várias que
urge identificar, desmotivam-se dos assuntos escolares, marginalizando-se
ou sendo marginalizados pelos professores e companheiros.
Às vezes até mesmo pela própria família...
Necessário é, pois, que a sociedade esteja sensibilizada para a importância
da identificação e reconhecimento de um sobredotado.
Dados estatísticos já elaborados apontam para uma população escolar
entre 10% e 15% de sobredotados.
É fundamental que se descubra e se valorize toda esta riqueza humana.
Onde estão? O que fazem? De que necessitam?
Em que podem contribuir para o desenvolvimento do país?
Limitam-se a ocupar um espaço na sala de aula, completamente alheios
ao que lá se passa porque a escola se lhes apresenta tão inútil e sem
sentido que acabam mesmo por abandoná-la, deixando definitivamente de estudar.
A natureza não privilegia famílias.
Em qualquer uma, pobre ou rica, pode surgir um bem dotado ou talentoso.
Entretanto, infelizmente, em cada geração um expressivo número de crianças bem dotadas,
criativas, talentosas e habilidosas passa pelas escolas e não é identificado.
Entre eles, quantos poderiam ter sido líderes, artistas, intelectuais, técnicos excelentes,
educadores e cientistas, mas foram perdidos...
Mas, como se trata de uma criança diferente, normalmente são os pais os primeiros
a perceberem a qualidade daquela criança, daquele jovem ou mesmo daquele adulto.
Não raro, são incompreendidos, até mesmo hostilizados e marginalizados
pelos outros na escola, no trabalho e no círculo de amigos.
É necessário que se resgate a inteligência, o talento, a criatividade e a vasta riqueza das suas habilidades.
A educação de sobredotados não é uma prerrogativa de sistemas educacionais sofisticados, privilegiando minorias. Nem é um desperdício de investimento material e humano.
Através da descoberta de sobredotados talentosos e da sua orientação e educação para a vida comunitária, contribui-se decisivamente para a construção de uma sociedade com maior progresso e desenvolvimento.
Por vezes, também os professores ou os pais os não compreendem,
minimizando-as ou ridicularizando-as.
Isto vai originar frustração, que se manifesta através de comportamento
irrequieto, inadequado, numa tentativa de chamar a atenção
sobre si próprio, como modo insconsciente de pedir ajuda e apoio.
Por isso, os professores e os pais costumam dizer:
"Como pode ele ser sobredotado se não apresenta bons resultados escolares?"
Podem ter sido óptimos alunos nos primeiros anos de escolaridade,
mas depois desinteressaram-se. A rotina, a monotonia e a rigidez
escolar apagaram todo o prazer que ele tinha na aquisição dos conhecimentos.
Preferem deixar à solta o seu pensamento e fixarem apenas os conceitos
que lhes agradam, os quais, infelizmente, nem sempre são os pedidos
na escola, o que lhes prejudica a vida escolar.
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